Alunos que Inspiram: evento reconhece e premia produções artísticas de alunos da rede estadual
4 de setembro de 2017 - 11:46
Nem só de conteúdos curriculares e de disciplinas obrigatórias é feito o processo educacional. Acreditando que a humanização, o desenvolvimento da sensibilidade e a construção da cidadania são pontos fundamentais para a boa formação dos estudantes, a Secretaria da Educação (Seduc) promoveu o Festival Alunos que Inspiram, incentivando a produção artística e o enriquecimento cultural entre os alunos da rede estadual. A final do evento foi realizada nesta quinta-feira (31), na Praça Verde do Dragão do Mar, encerrando as atividades do Mês do Estudante, denominado AoGosto do Aluno. A vice-governadora Izolda Cela e o secretário da Educação, Idilvan Alencar, participaram da festa. A apresentação foi feita pelo ator e humorista Rafael Cortez.
Ao todo, foram 1.452 trabalhos inscritos em oito categorias artísticas, representando um crescimento de 72% em relação à edição de 2016. As produções foram avaliadas em nível escolar, regional e estadual, sendo que avançaram à fase final as 24 expressões mais bem avaliadas nas etapas anteriores. Os três primeiros colocados em cada categoria foram premiados com viagens e participações em eventos relativos à sua manifestação em outros estados.
Pintura, desenho, grupo vocal, grupo musical, poema, vídeo em curta-metragem, dança e esquete teatral foram as categorias observadas. Uma comissão de jurados elegeu os melhores trabalhos, tendo em vista aspectos como originalidade, criatividade e construção.

Experiência
Arley Gomes, de 17 anos, vencedor da categoria Desenho, revela que esta foi a primeira vez em que teve a oportunidade de mostrar uma produção sua a um público amplo. “Agradeço às pessoas que fizeram o projeto chegar à minha cidade, à minha escola. Também sinto que cresci um pouco mais, conheci novos artistas e, mesmo se não tivesse vencido, já estaria muito feliz pelo enriquecimento cultural e técnico que consegui por causa do Festival”, avalia. Arley estuda na Escola Flávio Gomes Granjeiro, no município de Paraipaba.
Na visão da vice-governadora Izolda Cela, é preciso continuar criando espaços para a manifestação dos jovens, estimulando o desenvolvimento do potencial de cada um. “O Festival trouxe para as escolas estaduais pautas muito importantes como a arte, a cultura, a expressão dos talentos, de todas as coisas bonitas que esses meninos sabem e podem fazer quando lhes é dada a oportunidade”.
Encontrando na arte uma forma de aliviar tensões e angústias, Fernando Fiúza, de 16 anos, investiu na composição de uma tela que expressasse exatamente o sentimento que conseguiu superar. Ele foi o campeão da categoria Pintura. “Foi uma forma de colocar a dor pra fora, funcionando como uma espécie de terapia pra mim. Noto que consegui me sentir melhor através da arte. Vejo que outras pessoas em situações semelhantes à que eu me encontrava podem fazer o mesmo”, salienta. Fernando estuda na Escola Filgueiras Lima, em Lavras da Mangabeira.

O secretário da Educação, Idilvan Alencar, acredita que o incentivo às artes faz parte da educação integral. “É importante que o aluno tenha conhecimento das disciplinas básicas, como português e matemática, mas também que envolva-se com a arte, a cultura, a filosofia, o esporte, e assim tenha uma educação completa”, defende.
Quebrando o preconceito
Com uma peça voltada à valorização da religiosidade africana, o grupo Fênix, da Escola Valter Nunes de Alencar, em Araripe, venceu a categoria Dança. “A gente percebe que ainda há muita discriminação em relação às religiões africanas, e queremos mostrar que não existe uma melhor do que outra. A intenção é quebrar o preconceito”, ressalta Evely Alves, de 17 anos, que integrou a equipe vencedora. “A expectativa foi grande, batalhamos bastante para estar aqui. Escolhemos tema, figurino, maquiagem, tudo com muito entusiasmo para fazer a apresentação”, complementa a estudante.
A questão do respeito às diferenças também foi abordada por jovens do Grupo Atuarte, da Escola Enéas Olímpio da Silva, em Iracema, que venceram na categoria Esquete Teatral, com a peça “Somos moldura da sociedade”. Beatriz Dias, de 16 anos, uma das integrantes da equipe, explica que a intenção foi provocar a reflexão. “Retratamos pautas que são bastante significativas na sociedade, como machismo, homofobia, racismo, preconceitos econômico e social. Procuramos trazer uma abordagem reflexiva, mostrando que os preconceitos podem chegar a extremos, e que prejudicam diversas pessoas”, observa.
Estudo
Tendo como inspiração o rap, Daniel Ferreira, de 17 anos, diz que “escreve por militância”, na busca de um mundo mais justo. O jovem, que estuda no Liceu de Iguatu Dr. José Gondim, foi 1º lugar na categoria Poesia, com a obra “Poesia Marginal”. O trabalho, segundo ele, valoriza a métrica dos versos urbanos. “Poesia marginal, difusão mental / confundido com bandido, vaga Buda na favela espiritual (…) Desliguem o wi-fi, liguem a vida / tragam para mais perto as pesoas queridas”, recita.
Tendo em vista o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), método pelo qual Daniel pretende entrar na universidade e cursar História, a poesia também é uma forma de estudar. “Para elaborar uma obra, tenho que buscar muitas informações. São vários conteúdos dentro de uma só poesia. Em quatro linhas trago muitas referências, e não poderia usar palavras soltas”, explica.
Criatividade
O trabalho “Um Rio de Esperança”, desenvolvido pelos alunos da Escola Moisés Bento da Silva, de Jati, buscou retratar a esperança dos povos do sertão que serão beneficiados com a transposição do Rio São Francisco, tendo sido vencedor da categoria Curta-metragem. “O filme conta a história do povo de Jati, que sofreu bastante com a seca. Pensamos o que levaria a mudar essa situação de sofrimento e vimos que a transposição do Rio São Francisco pode ser essa solução. Então fizemos um roteiro completo, representando a transformação da tristeza para a alegria da população, com o acesso ao recurso da água”, frisa Klécio Felix Novaes, de 16 anos.
O colega Júlio José da Silva, de 17 anos, que também participou da produção do curta, ressalta que o filme ficou pronto em menos de dois meses e teve baixo custo de realização. “Usamos muitos materiais de reciclagem. Foi muito barato e com profissionalidade, buscamos colocar o máximo de verdade naquele trabalho”, enfatiza o estudante.
Homenagens
O maestro Antônio Carlos Jobim foi lembrado no Festival pelos alunos da Escola Governador Virgílio Távora, em Crato, que formam o Octeto Bossa e foram campeões na categoria Grupo Musical. Cícero Ramon Fernandes, de 16 anos, que é baixista do conjunto, lembra que o grupo foi formado por ocasião do evento. “Fizemos os arranjos e a gravação da peça Água de Beber em apenas um dia. Pretendemos dar continuidade à banda, e já estamos preparando arranjos para outras músicas. O grupo é também um movimento de resistência, de resgate da boa música, que não tem sido devidamente valorizada atualmente”, considera Cícero.
Outro artista brasileiro lembrado durante o Festival foi Tim Maia. Na categoria Grupo Vocal, estudantes da Escola Professora Abigail Sampaio, em Paracuru, apresentaram uma versão da música Azul da Cor do Mar. “Cada um do grupo é um talento individual, mas, nenhum tinha experiência de conjunto. Então, agradecemos ao nosso professor Josiéliton, que sempre nos ensinou com muita dedicação. Essa nossa apresentação foi apenas uma etapa, porque queremos aprender e crescer cada vez mais”, projeta Luana Mota, de 15 anos, representante do grupo.

Programação
O Festival Alunos que Inspiram fez parte da programação do AoGosto do Aluno, projeto que visa oferecer atividades pedagógicas, culturais e de lazer aos alunos da rede pública estadual de ensino, em comemoração ao Mês do Estudante. Durante agosto, os estudantes participaram de passeios culturais, com visitas a museus, dia de lazer em parque aquático e ida à Arena Castelão para assistir a jogos do Ceará e do Fortaleza.
No dia 20, a Secretaria da Educação promoveu a II Corrida das Escolas Públicas Estaduais, na Avenida Beira Mar, em Fortaleza. O percurso de 5 km reuniu cinco mil alunos e educadores das escolas da rede estadual.
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01.09.2017
Bruno Mota
Assessoria de Comunicação da Seduc
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